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BrasilFonte: Agência Brasil06/11/2026 17:01

Cursos populares ajudam mulheres a retomar estudos para o Enem

Escolher uma profissão, estudar, se formar e perseguir a carreira desejada. A falta de apoio e a necessidade de cuidar da família e dos filhos fazem com que esse percurso seja adiado para muitas mulheres.\n\nNo caso de Zélia José dos Santos, de 72 anos, esse sonho não ficou para trás, e ela se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingressar na faculdade.\n\n“Não tive oportunidade quando nova. Tive família, precisava cuidar dos filhos, trabalhava fora de casa. Agora, resolvi cuidar de mim”, conta, em entrevista à Agência Brasil.\n\nA dona de casa decidiu retomar os estudos e quer se formar em serviço social. Persistente, ela já prestou o Enem por vários anos e, em 2026, buscou o apoio do pré-vestibular do Sindicato dos Servidores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Sintuperj).\n\n“Estou ansiosa para domingo, mas estou mais preparada”, responde ela, confiante.\n\nResponsável setor administrativo do curso, Carlos Eduardo Silva de Lourdes conta que mulheres mais velhas correspondem a 20% a 30% dos estudantes. \n\nO cursinho popular cobra mensalidades de R$ 162 para o público geral, oferece 10% de desconto para servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e bolsas integrais para estudantes em situação de vulnerabilidade. \n\nAlém de atendimento pedagógico e psicossocial, o curso oferece cestas básicas aos alunos e voluntários do projeto, que são arrecadadas nos aulões mensais. A coordenadora pedagógica, Raíssa Tabajara, explica a importância de não se limitar à transmissão dos conteúdos do Enem. \n\n“Temos projetos externos para fortalecer a base de alunos que não estudam há muito tempo. A gente não dá só aula, mas também oferecemos atendimento psicossocial, com aulas de autocuidado”, afirma Raíssa.\n\nAssim como Zélia, a técnica de enfermagem Paula Cristina dos Santos, de 55 anos, também tenta há muito tempo passar no Enem.\n\nEla conta que foi mãe na adolescência e teve que se dedicar à família e ao trabalho. \n\n“Eu consegui uma nota para fazer fisioterapia, mas o que eu quero é medicina. Quero continuar na saúde. É um desafio grande, pela idade, pela doença de fibromialgia que me incapacita muito. Mas nunca é tarde para sonhar”.\n\nNo primeiro dia de provas, neste domingo (8), os participantes responderão a 90 questões objetivas de linguagens e ciências humanas, todas de múltipla escolha, além de desenvolver um texto.\n\nA professora de redação do pré-vestibular do Sintuperj, Érika Rodrigues, dá dicas sobre como melhorar a produção textual para a prova.